Presidente do FMI pede uma regulamentação branda para as criptomoedas

A volatilidade das criptomoedas e a disrupção de sua tecnologia são fatores que colocam economistas e banqueiros divididos sobre o que pensar dos ativos.

Essa falta de consenso sobre as moedas digitais é observada na Europa com Yves Mersch e Christine Lagarde.

Yves Mersch, Membro da Comissão Executiva do BCE, em 2016 se mostrou um tom amigável ao falar do blockchain. Mersch apontou que o blockchain é um forte concorrente para os cartões por possuir pagamentos instantâneos.

Já em relação às criptomoedas Mersch não se mostrou favorável. No final de 2017, disse em uma entrevista, que a entrada de infra-estruturas do mercado financeiro no negócio de criptoativos o preocupa. Segundo ele, isso representa uma grande ameaça à estabilidade financeira.

Em 02 de setembro deste ano, Mersch voltou a falar sobre criptomoedas, mas dessa vez sobre o Libra do Facebook.

“Dependendo do nível de aceitação do Libra e da referência do euro em sua cesta de reservas, ele poderia reduzir o controle do BCE sobre o euro, prejudicar o mecanismo de transmissão da política monetária, afetando a posição de liquidez dos bancos da área do euro e minar o papel da moeda única internacional”.

Mersch observou que o alto nível de centralização do Libra é extremamente preocupante. Isso porque ele não será apoiado por um credor de último recurso.

Em contraste com as ideias de Mersch está a presidente do FMI.

Christine Lagarde, disse em 2017, que os bancos centrais e reguladores do mundo deveriam levar as moedas digitais a sério.

Em sua declaração de abertura no Comitê de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu, Lagarde recomendou que os “legisladores e reguladores financeiros sejam justos e tolerantes com as oportunidades oferecidas pelas criptomoedas e pela tecnologia de contabilidade distribuída e adotem uma abordagem metódica sempre que considerar sua implementação”.

Lagarde entende as dificuldades que o setor de criptomoedas ainda enfrenta. Contudo, ela tem o olhar mais aberto que muitos economistas e não categoriza os criptoativos como especulações e esquemas de pirâmide financeira.

Christine Lagarde terminará oficialmente seu cargo no FMI amanhã (12/09). Ela assumirá a presidência do Banco Central Europeu em novembro e poderemos ver finalmente o BCE mais amigável as criptomoedas, pois, como a própria Lagarde disse “os benefícios a longo prazo oferecido por essa inovação visionária são substanciais demais para serem deixados de lado”.

Comentários

Deixe um comentário

  Subscribe  
Notify of