Anubinho Entrevista com Ricardo Rozgrin

A entrevista da semana foi com Ricardo Rozgrin, especialista em criptomoedas e sócio-fundador da Braziliex, uma das maiores exchanges do país.

É administrador de empresas dedicado ao planejamento financeiro. Atua há mais de 18 anos com desenvolvimento de software e aplicativos de internet, e já desenvolveu sites para mais de 2000 empresas. Nos últimos anos dedica-se ao mercado de criptomoedas e BlockChain, contribuindo para o desenvolvimento e disseminação das novas tecnologias.

✦ Para começar poderia nos contar um pouco da sua historia com o Bitcoin?

Bitcoin apareceu pra mim antes de 2015, algumas pessoas pontuais me falavam sobre Bitcoin mas eu nunca dei muita atenção. Na época eu estava envolvido em um outro projeto, num outro negócio, e ouvia falar que o pessoal da Santa Efigênia tava louco com um negócio mineração de Bitcoin. Legal, entrava por um ouvido e saía pelo outro. Numa outra reunião perguntavam “Esse negócio ai do dinheiro negro, dark money, deep web, tá sabendo o que é isso?” Dai eu dava aquele sorriso amarelo e dizia “Legal. Sei sim.” mas ainda não tinha parado para estudar. Em 2014 pra 2015 o meu irmão mais novo falou “E Bitcoin?”, sabe quando é a décima vez que você tá ouvindo falar de algo, dai você para e presta atenção? “Que que é esse raio de Bitcoin?” e ai fui estudar. Fiquei fascinado pela tecnologia, é um negócio realmente muito disruptivo, entendi o alcance, entendi a tecnologia. Fiquei 6 meses estudando mesmo, inclusive o código fonte do Bitcoin, pra entender como funcionava, enfim, pra saber o que era de fato. E comecei a idealizar alguns produtos e serviços com base em Bitcoin. Um deles era um cartão pré-pago, recarregável em Bitcoin que eu consegui efetivar, eu desenvolvi, chamava Bitcoin Card e esse cartão eu consegui vender algo como 90 cartões em 30 dias. E no meu segundo pedido do cartão pro fornecedor, a Visa pediu pra descredenciar tudo que envolvesse Bitcoin. Então o projeto nasceu e morreu em um mês, tive que devolver o dinheiro da galera, enfim, só ganhei trabalho e paguei pelo processo. Ficou o aprendizado, como que gera o endereço, como que confirma a transação, como que converteria em uma Exchange e geraria o crédito, me trouxe muito aprendizado. Depois disso, eu ia desenvolver um outro produto/serviço para  área de Recursos Humanos, e pouco antes de começar, o Bitcoin deu um salto, ele subiu, estava ali na casa dos R$3 mil, subiu pra R$4 mil e eu comecei a perceber a possibilidade de fazer um robô de trade para Arbitragem, e fiquei uns 3 a 4 dias só desenvolvendo um robozinho e validando se era possível fazer Arbitragem entre as Exchanges, o que eu avaliei que sim na época. Tá, legal, que mais que a gente pode fazer? Eu conversava bastante com meu irmão Marcelo a respeito, ele também desenvolvendo os seus testes e acompanhando os estudos também, até que um dia a gente brincou “O que a gente pode fazer? Você viu que a Polonyex  tá ganhando um monte negociando Altcoins?” e a gente olhou pro Brasil e viu que não tinha ninguém negociando Altcoins. E as grandes Exchanges, pra MB (Mercado Bitcoin) e a FoxBit, a gente tinha a informação que eles não estavam olhando pras Altcoins, Ethereum, Dash, Monero, nada disso para eles era interessante. E a gente começou a pensar, e se a gente fizer uma Exchange Altcoins? Pra atender esse público, percebemos alguma demanda mas ninguém pra atendê-los.

✦ Bancos e bolsas do mundo inteiro estão abrindo as portas para o Bitcoin. Você acredita que isso acontecerá no Brasil no curto prazo?

Não antes disso ser regulamentado. Qualquer regulamentação ainda tem que passar pelo desenvolvimento de um projeto de lei, ser aprovado pelo congresso, como o tema diz respeito a várias pastas, tem que ser aprovado pelo senado e depois ser sancionado pelo presidente. Pelo que se percebe o novo presidente tem váááários desafios antes desse tema realmente merecer atenção. Especialmente diante da baixa do preço do principal ativo, o BTC e queda do volume de movimentação disso.

✦ Na sua opinião, quais as barreiras existentes para a expansão do Bitcoin?

A principal barreira ainda é tecnológica. Qualquer vovozinha consegue usar o Whats App, mas são raras as pessoas que realmente conseguem usar BTC e outras criptomoedas de forma segura. Entretanto percebe-se o interesse das “bigtechs” como Facebook e Google oferecerem algum serviço para pagamentos. Isso certamente ajudaria tudo se tornar popular, mesmo que sem muito saber o que se passa no background de uma transação.

A segunda barreira é adoção. Ainda são raros no comércio em geral empresas que aceitam BTC ou cripto como forma de pagamento. E mais raro ainda alguém que tenha cripto interessado em consumir produtos e serviços para pagar com suas cripto.

À medida que isso ganhar utilidade como forma de pagamento, essas barreiras serão reduzidas e uma adoção passa a ser mais provável. Mas ainda creio que vai levar algo como 4 ou 5 anos pra realmente ser tão popular quanto cartões de crédito.

✦ Como você enxerga o mercado de Bitcoin e das criptomoedas em geral para esse ano? E para daqui uns cinco anos?

A maior parte das pessoas utilizam como oportunidade de investimento especulativo, e não pela sua utilidade de fato. Ainda estamos anos-luz de distância do enfraquecimento das moedas fiduciárias. Os governos nos obrigam a utilizá-las e a pagar nossos impostos na moeda que controlam. Ainda é baixo o entendimento e domínio tectonológico dos usuários brasileiros a respeito do tema. Isso considerando as pessoas que hoje, tem alguma cripto. Se considerar a grande massa popular, aí bitcoin e cripto passam a ser praticamente irrelevantes.

Claro que é algo extremamente inovador e disruptivo… e que, se passar a funcionar dentro do Whats App por exemplo, poderá de forma bastante abruta ter grande adoção, mas os governos não vão facilitar.

Daqui 5 anos, vamos realmente ver a utilidade prática destas tecnologias em uso. Logo, nesse período, o que for apenas um “sonho” vai deixar e existir. E o que tiver realmente utilidade, como smart-contratcs vão se tornar cada vez mais utilizados por todos os segmentos e setores.

✦ Ultimamente tem-se ouvido falar sobre a regulamentação do mercado de criptomoedas. O que você pensa sobre isso? Acha que isso pode impulsionar ou atrasar o mercado? Acha que irá atrapalhar o funcionamento das Exchanges?

A Braziliex é uma empresa bastante transparente e que opera 100% dentro da regulamentações e leis existentes. Acreditamos ser muito mais fácil e possível uma grande adoção pelas pessoas e empresas a partir do momento em que existirem as regras. A partir disso grandes empresas poderão adotar e daí pra frente acredito que cartões de crédito tendem a desaparecer. Assim como os cheques já são raramente utilizados!

✦ O que te motivou a abrir sua Exchange? Quais são os diferenciais da Braziliex?

Em 2017 quando começamos a pensar no assunto, não existiam outras exchanges no Brasil dando a devida importância para criptomoedas, as maiores exchanges a principio só negociavam bitcoin, tendo percebido esse gap, tendo capacidade de desenvolver nossa própria plataforma e acreditando numa demanda pela aquisição de altcoins diretamente por Reais, desenvolvemos a Braziliex.

Um dos grandes diferenciais é que nossa plataforma foi desenvolvida inteiramente pela nossa equipe. E por não ter que pagar “royalties” para ninguém sobre a utilização do nosso software, pudemos desde o inicio, oferecer um portfólio muito maior de criptomoedas ao público, bem como taxas muito menores.

Recentemente criamos também o Braziliex Pay, que é um APP que permite qualquer pessoa receber pagamentos em bitcoin pelo celular. O pagamento é automaticamente convertido em REAIS, facilitando a vida dos comerciantes, que preferem não estar expostos aos riscos e volatilidade do bitcoin. Novamente, o domínio tecnológico e a capacidade de desenvolver produtos integrados à exchange nos traz um baita diferencial competitivo e hoje, acredito que somos a única exchange com um “gateway” de pagamentos integrada à plataforma. Aumentando a liquidez e facilitando a adoção e utilização de bitcoins por quaisquer pessoas.

Por fim, não poderia de deixar de mencionar o trabalho da nossa equipe de atendimento, que é reconhecidamente um dos melhores do Brasil, tendo uma das melhores notas no site Reclame aqui.

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